Aborda os processos comportamentais dentro de uma organização e procura desvendar alguns mistérios sobre o funcionamento da mente humana com base nas novas ciências da cognição, apresentando a teoria computacional da mente.
Na sua essência, conhecimento é o segundo patrimônio em importância que se pode transmitir ou, de algum modo, herdar. O primeiro é a própria herança genética, que também é o registro de um conhecimento, esse da Natureza e que é acumulado por uma linhagem durante a evolução da espécie.
O conhecimento é transmitido por uma imensa variedade de conjuntos simbólicos criados pela humanidade. Dentre todos esses conjuntos que são usados pelo homem para a compreensão do mundo e para a comunicação entre seus semelhantes, o que melhor diferenciou o ser humano foi a linguagem. A linguagem permitiu ao homem compartilhar conhecimento e registrá-lo para sua posteridade, em um crescente exponencial.
O sucesso do ser humano nessa saga foi possível através de uma intensa atividade mental envolvida em processar, comparar e combinar informações. Essas atividades, associadas à experimentação e com o feedback adequado, pôde construir não apenas um arcabouço para o conhecimento, mas potencializá-lo pela generalização. A capacidade para tal é resultado da evolução, que cuidou de dotar os mais habilidosos animais de estruturas mentais especializadas e de outras adaptáveis. A adaptabilidade é que permitiu ao homem fazer uso de ferramentas e habilidades desenvolvidas para o desempenho de atividades elementares de sobrevivência na Savana durante a maior parte da existência do Homo-Sapiens, em outras atividades mais complexas, como por exemplo, a de se enviar um homem à Lua. Isso é generalizar!
O homem aprendeu então a transformar mistérios em problemas. Essa foi uma questão chave para o desenvolvimento do processo científico. Com mistérios não sabemos lidar. Para problemas podemos pensar, procurar conhecimentos e, através de algum insight, finalmente podemos chegar à sua solução, esse é nosso modo de agir.
Essa atividade, pensar, que pode resultar em algum tipo de conhecimento que surge como insight, não é a única atividade mental fundamental, isso ficará evidente quando abordarmos a teoria computacional da mente. O que interessa neste momento é o resultado desse processo que chamamos de conhecimento. Esse conhecimento na forma de um insight se transforma e passa a viver na mente e pode ainda ser transmitido a outra mente. De um modo parecido com o qual a natureza criou uma codificação universal para transmitir a informação necessária para construir um organismo e mantê-lo vivo e ativo, o código genético do DNA, os processos mentais criam uma espécie de replicador virtual que habita apenas a mente humana. Esse ente, similar aos genes, foi pela primeira vez citado por Richard Dawkins (em “O Gene Egoísta”): o “meme” (pronuncia-se “mem”). Dawkins convencionou o uso do monossílabo “meme” para soar como “gene” (“gen”); a origem é da raiz grega “Mimeme” que significa “uma unidade de imitação”. O “meme” representa para a cultura o mesmo que o gene representa para a vida biológica. De acordo com o pensamento de Dawkins, a transmissão cultural é análoga à transmissão genética, e a cultura, como uma enciclopédia, é o conjunto de todos esses “memes”.