Introdução
O agronegócio é uma cadeia produtiva longa, capilar e com um impacto econômico substancial para o Brasil. Em diversos aspectos, o agronegócio brasileiro é referência mundial. Inovação, vanguardismo, estrutura e grandiosidade são palavras que podem ser associadas ao agronegócio nacional. Muitas fazendas são empresas sofisticadas, possuem métodos avançados de produção, empregam sistemas de planejamento empresarial avançados, passam por intensa mecanização e têm conseguido saltos contínuos de produtividade. Um olhar mais atento mostra que este é um setor com grandes oportunidades e aplicações em tecnologia, modelos de negócios e aspirações globais e integradas.
O uso das redes sociais ao longo de toda a cadeia produtiva do agronegócio é uma oportunidade efetiva? Nossa pesquisa das melhores práticas mundiais diz que sim, embora, em particular no Brasil, as iniciativas ainda sejam emergentes ou incipientes. Estamos falando da utilização de sites da chamada Web 2.0, como Twitter, Orkut, Facebook, YouTube e várias outras ferramentas que tipificam as redes sociais para apoiar, dinamizar e integrar os negócios, grandes e pequenos, ao longo de toda esta importante cadeia produtiva.
Redes sociais e integração no agronegócio
As oportunidades de agregação de valor ao negócio por meio da internet e, particularmente, das redes sociais, são múltiplas. As dimensões continentais do Brasil, assim como a forte expansão global das empresas nacionais desse setor deixam ainda mais evidente como a internet e as redes sociais podem trazer contribuições significativas para o estímulo e disseminação de inovações e, principalmente, para uma integração ainda mais ágil e robusta desta longa cadeia produtiva: do campo à mesa dos consumidores finais (v. Figura 1).
Ao longo do segundo semestre de 2010, analisamos sistematicamente “como as empresas integrantes de toda a cadeia do agronegócio, tais como fornecedores de insumos e equipamentos, produção e beneficiamento, comercialização (como bolsas de futuros e centrais de abastecimentos) e entidades de apoio podem gerar valor por meio da Web 2.0”.
Os casos que analisamos apresentam, em particular, significativa geração de valor à medida que a tônica da integração direciona os esforços. Neste sentido, os usos integradores das redes sociais no agronegócio podem ser divididos sob três perspectivas:
- Conexão horizontal: entre os membros de um mesmo elo da cadeia do agronegócio. Um exemplo é o elo entre concorrentes na forma de cooperativas locais, seja pela união de produtores em torno de melhores práticas pela busca de produtividade, seja pela criação de uma rede de discussão entre pesquisadores;
- Conexão vertical: entre membros ao longo da cadeia do agronegócio, como fabricantes de insumos, abatedouros, indústrias e canais para o varejo;
Relacionamento com stakeholders: a utilização das redes sociais nesse contexto tem como um dos principais objetivos agregar maior percepção de valor aos produtos finais.