Introdução
Qual gestor ou presidente de uma empresa consegue saber a opinião real de seus funcionários sobre qualquer que seja o assunto interno da organização? Não muitos. Afinal, os gestores pouco se utilizam da opinião dos seus colaboradores sobre determinados processos na hora da tomada de decisões. Por outro lado, é sabido que a maioria desses trabalhadores também não expressa abertamente o que pensa ou sabe sobre determinado processo aos seus superiores.
Porém, tal conhecimento pode ser de extrema valia para a empresa.
A pergunta que fica, portanto, é como os executivos podem fazer uso desse conhecimento de modo a auxiliá-los efetivamente na tomada de decisões ligadas a eventos futuros?
Para auxiliar os líderes a tomarem decisões baseadas no que ainda virá a acontecer, companhias investem pesado em departamentos de forecasting, que trabalham a todo o vapor de modo a minimizar os erros de cálculo e tornar as decisões executivas mais escoradas em elementos tangíveis. Tais instrumentos são os mais variados, como método Delphi, pesquisas, análise de cenários, entre outros.
Porém, desde meados dos anos 90, algumas empresas têm feito uso de uma ferramenta que tem como característica a união da opinião dos funcionários aos objetivos de forecasting. Batizada de Mercados Preditivos, ou Mercados Futuros, esse instrumento aparece como um dos mais precisos na atualidade para auxílio à tomada de decisões, segundo dados de empresas líderes de seus segmentos, como Google e General Electric.
Embora ainda incipiente, a utilização dessas ferramentas no mundo corporativo tem sido cada vez mais aderida pelas companhias para os mais diversos fins. Esses exemplos serão discutidos de forma mais ampla adiante.
Conceito e origem
Para quem nunca ouviu falar, os Mercados Preditivos são basicamente bancos de apostas cujo objetivo é prever algo que irá acontecer no futuro. A ideia por trás desta ferramenta vem do conceito publicado pela primeira vez por James Surowiecki, no livro Wisdom of Crowds, de 2004, que reza que a opinião de um grupo grande de pessoas com suficiente diversidade, independência entre si e com descentralização é mais próxima da realidade futura do que a de especialistas no assunto. Segundo o autor, os Mercados não são uma bola de cristal, porém, são quase sempre melhores do que qualquer método de forecasting que existe.
Os Mercados Preditivos tiveram origem a partir dos conhecidos processos do mercado financeiro, em bolsas de valores. A ideia foi utilizar o mesmo sistema utilizado nos pregões para se obter respostas para as mais diferentes perguntas, seja da área de esportes, política, ou de dentro de uma corporação.
Porém, na prática, qual a diferença entre Mercados Preditivos e mercados financeiros?
A diferença marcante é que nos Mercados Preditivos há sempre uma resposta (ou um preço final) a ser respondido pelos seus participantes. Nas bolsas, por outro lado, o preço de uma ação não tem prazo determinado para chegar a um valor final.
Como funciona?
Porém, como isto funciona na prática? Para traçar uma definição geral do funcionamento de um Mercado Preditivo convencional, se faz necessária a definição dos seguintes componentes:
Tema
É o assunto que será abordado pelo Mercado Preditivo. A partir dessa definição e também do objetivo da análise, é possível formular a pergunta que os participantes irão responder por meio de suas apostas. Vale destacar que a questão deve ser clara de forma a permitir a compreensão de todos sem dificuldades.
Plataforma
Trata-se do ambiente onde os participantes irão interagir. Não é necessário seguir um padrão único para os diversos Mercados a serem realizados. No entanto, o espaço deve disponibilizar as informações básicas para permitir o entendimento do cenário do momento e também a localização do usuário, como a pergunta em questão do Mercado Preditivo, o gráfico de evolução das apostas, além das opções de compra e venda dos contratos.
Moeda
É a unidade de troca utilizada nas apostas realizadas e que pode ser classificada em dois grupos: Moeda real e Moeda virtual.
O primeiro deles é destinado a Mercados onde a aposta é feita em dinheiro real e que geralmente é utilizado em portais abertos na internet e que abordam temas variados como política, esporte e entretenimento.
O segundo grupo é o utilizado também para Mercados Preditivos no meio corporativo. Neste caso, fichas ou dinheiros virtuais são usados para fazer as apostas.
Público
Trata-se dos participantes que podem apostar nos Mercados Preditivos. Para a definição do público é necessário respeitar alguns dos elementos essenciais desse tipo de projeto: diversidade, independência entre si e descentralização.
Contrato
É o lugar onde estão registradas todas as regras de funcionamento do Mercado e que deve ser disponibilizada de forma a permitir que os participantes acessem no momento que precisarem. Em relação às regras de pontuação, os dois tipos de contrato mais utilizados hoje nos Mercados Preditivos são:
- Proporcional – pontuação proporcional à aposta do participante. O nome Linear também é utilizado em algumas ocasiões para referenciar esse tipo de contrato;
- Binário – neste caso, o apostador ganha $1 se sua aposta acontecer ou $0 caso contrário. Este contrato também é conhecido por Tudo ou nada."