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Publicado em: Inteligência Empresarial   
Empreendedorismo na Prática: 10 características fundamentais dos empreendedores  Autor: José Cláudio Terra 
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Uma das características interessantes dos empreendedores reside no fato de serem muito ágeis na identificação de pessoas que podem lhes trazer soluções para seus desafios emergentes.
 

Os empreendedores são o alicerce do desenvolvimento econômico e social. São eles que canalizam a poupança para os investimentos que geram empregos, para o aumento de produtividade, para a melhoria dos produtos e serviços e para mudanças sociais. Alguns talvez achem essas afirmações um exagero, mas, na verdade, não há evolução sem empreendedorismo. Logicamente, não estamos falando aqui apenas dos empresários, líderes de negócios. Estamos nos referindo a todos aqueles que a partir da combinação de conhecimentos – próprios ou não – e recursos lideram mudanças efetivas na sociedade.

 

Este texto não vai se limitar a fazer apologia aos empreendedores. Trata-se de argumento fácil, mesmo existindo alguns empreendedores que, exceção à regra, não possuem ética. No Brasil, no entanto, ao contrário de outros países, o empreendedorismo ainda precisa ser frequentemente e moralmente defendido. Isso talvez seja fruto de uma herança cultural que valoriza o emprego público como caminho para uma vida mais tranqüila e pouco inspirada ou, ainda, de um ambiente econômico que favoreceu a especulação à inovação. Difícil dizer com certeza, mas o fato é que, em um dos países mais “estatizados” do mundo, aqueles que empreendem ainda não são valorizados e compreendidos de maneira adequada. Nesse sentido, tentaremos desmistificar algumas das percepções acerca dos empreendedores.


1.Empreendedores são capazes de lidar tanto com risco quanto com incertezas
Embora risco e incerteza possam parecer a mesma coisa para muitas pessoas, elas são coisas bem distintas. Tanto é assim, que as empresas de seguro estão dispostas a vender seguros contra roubo, incêndio ou mesmo morte, mas não contra fracasso no lançamento de um produto, de um negócio ou de uma parceria. Empreendedores precisam computar, mesmo que apenas intuitivamente, tanto riscos – que teoricamente podem ser calculados matematicamente –, quanto incertezas, tais como “o mercado irá receber bem meus produtos e serviços?”, “vou atrair os melhores talentos?” e “esta campanha de marketing vai ter algum efeito?”. Lógico que o futuro é incerto – ou como diria Benjamin Franklin: Nada é certo, apenas a morte e os impostos. Para o bem da sociedade, os empreendedores, são capazes de avançar em meio a todas as intempéries que os mercados lhes reservam.


2.O trabalho não é necessariamente um meio. Ele pode ser o fim em si mesmo
O sucesso é ótimo, e as benesses que carrega consigo, bem-vindas. Muito obrigado! Mas, os empreendedores mal têm tempo de se preocupar com isso. Os céticos, os acadêmicos, os socialistas e os fervorosos vêem com freqüência apenas a busca desenfreada pelo sucesso e pelos resultados materiais que dele advém. Não compreendem que os empreendedores podem se arriscar, se entusiasmar e serem maltratados pelo próprio empreendimento, seja ele cultural, artístico, social ou comercial. Na mente daqueles que observam do alto de sua inanição, deve haver algo sórdido por trás de tanta energia. Ledo engano! A história tem mostrado que grandes empreendedores são pessoas genuinamente especiais, que se dedicam com entusiasmo, alegria e paixão aos objetos e objetivos com os quais se envolvem. Felizmente, em geral, as pessoas que têm atingido grande sucesso são empreendedores. Os outros, que basicamente confundem riqueza e poder com sucesso, são rapidamente esquecidos pela sociedade. Não contribuíram de fato para a evolução da humanidade.


3.Empreendedores coordenam os recursos econômicos e os mercados
Pensar grande não é necessariamente uma questão de megalomania, mas de saber que os recursos para empreender, sejam humanos, financeiros ou de conhecimento, precisam de uma “luz no final do túnel” para se combinarem de maneira efetiva. Cabe aos empreendedores cumprirem esse papel crítico na sociedade. O progresso econômico e social, a inovação e a melhoria das condições de vida não ocorrem sem a “mão santa” do mercado e o grande papel exercido pelos empreendedores. De fato, apenas na hipótese de que a informação perfeita está disponível para todos, é que podemos pensar em uma economia funcionando com a esperada eficiência dos mercados perfeitos. Como sabemos, a realidade é muito distinta. Empreendedores são grande brokers de informação. E esse papel é exercido por meio de uma coordenação efetiva e geradora de progresso e riqueza das habilidades de convencimento, negociação e inspiração que caracterizam os empreendedores em maior ou menor grau.


4.Empreendedores trabalham com vários tipos de conhecimento
Os empreendedores têm um tipo especial de conhecimento. É muitas vezes difícil mapeá-los, identificá-los e reconhecê-los. Sabemos mais dos resultados do que dos processos associados ao empreendedorismo. Intuição é a explicação mais simples. Mas intuição, na verdade, é resultado de um processo cognitivo complexo, que permite aos empreendedores sintetizarem várias experiências anteriores para tomada de decisão. Mas, mais do que trabalhar com seus próprios conhecimentos, empreendedores têm a enorme capacidade de ouvir, aprender, selecionar conhecimentos de outros e, em alguns casos, estimular a colaboração e o aprendizado coletivo de várias pessoas.


5.Empreendedores não acreditam em linhas retas e matam um leão por dia
Talvez uma das características mais interessantes dos empreendedores é que eles, embora pensem grande, sabem que têm que “matar um leão por dia”. Isso não quer dizer que eles não consigam ter uma visão de longo prazo. O que acontece é que eles sabem que o futuro se constrói todos os dias. Diariamente, há muita oportunidade de aprendizado, de inovação e de motivação de outras pessoas em prol de uma visão compartilhada.


6.Empreendedores não acreditam em sorte; sabem que há muitas oportunidades
Empreendedores têm sorte? Claro que sim. A característica fundamental dos empreendedores é o otimismo contagiante daqueles que sabem ter a sorte ao seu lado. Mas a sorte dos empreendedores não é a sorte que muitos imaginam. É a sorte de mentes preparadas para mais do que detectar oportunidades. É a sorte para detectar e agir quando as oportunidades aparecem.


7.Empreendedores são, por incrível que pareça, realistas. O maior risco é achar que nada vai mudar.
Muitos dizem que os empreendedores são pessoas dispostas a assumir riscos. Sim, isso é verdade. Mas é verdade também que os empreendedores sabem que o maior risco é achar que nada vai mudar. Eles sabem que não vale a pena ficar olhando o tempo todo para o passado e para o presente. O futuro se desenha a cada instante, e não agir significa ficar para trás. O realismo dos empreendedores é, portanto, maior do que daqueles que insistem em questionar as mudanças no ambiente, nas tecnologias e nos hábitos das pessoas. Tudo muda, o tempo todo. É esse o realismo do empreendedor.


8.Empreendedores são resilientes e persistentes
É bem conhecido que investidores em capital de risco preferem investir em pessoas e empresas dirigidas por aqueles que têm cicatrizes de batalhas perdidas, que têm acúmulo de experiência de sucesso e fracasso. Quanto maior a aposta, mais importante parece ser a necessidade de ter pessoas com um grande repertório de conhecimentos, emoções e perspectivas. Para se conhecer realmente uma pessoa é importante ver como estas reagem frente ao fracasso e as derrotas – é quando muitos querem matar seus sonhos. A reação quando tudo está bem é mais óbvia. É a resiliência e a persistência dos grandes empreendedores que os distingue. Empreendedores para valer se recuperam e mantém a energia e o foco na busca das soluções, da visão e dos resultados concretos.


9.Empreendedores trabalham com redes
Uma das características interessantes dos empreendedores reside no fato de serem muito ágeis na identificação de pessoas que podem lhes trazer soluções para seus desafios emergentes. Empreendedores constroem relacionamentos de maneira sistemática. Eles sabem de maneira intuitiva que não são alguns poucos relacionamentos muito fortes que lhes servirão como base de apoio para enfrentar as intempéries e os desafios do ambiente. Ao longo de suas vidas, eles acumulam relacionamentos construtivos com vários tipos de pessoas. É na diversidade e na busca genuína de relações do tipo “ganha-ganha” que se formam redes saudáveis. O conhecimento, a força e a capacidade de ação dos empreendedores não reside, portanto, nos empreendedores como indivíduos, mas em suas redes.


10.Empreendedores valorizam a ação e o aprendizado aplicado
É bem conhecido pelos que estudam cognição o fato de que só aprendemos com base no que já sabemos. O conhecimento humano evolui a partir de associações. Também se sabe que se aprende mais com os erros do que com os acertos. Essas duas lições centrais do processo de aprendizado parecem ser naturalmente compreendidas pelos empreendedores. Eles se caracterizam pela ação, pela reflexão instantânea e pela busca de novas experiências e desafios para os quais estão apenas parcialmente preparados. Eles sabem que fazer apenas aquilo que já se sabe significa estagnar. Para aprender, é preciso criar uma tensão permanente entre o conhecimento prévio e o que se necessita. Assim, acerta-se às vezes, erra-se em outras oportunidades. Importante, porém, é que, agindo dessa maneira, a evolução está garantida.


Que tipo de sociedade vivemos ou queremos viver tem tudo a ver com a forma como encaramos o empreendedor? Queremos viver em uma sociedade baseada em meritocracia ou em uma sociedade baseada em herança, direitos adquiridos e privilégios corporativistas? Uma sociedade que valoriza o empreendedor é uma sociedade de alta mobilidade, mais flexível e menos embasada em castas. O verdadeiro empreendedor sabe, ademais, que a conquista de hoje serve apenas para impulsionar e prover recursos para os desafios que ainda virão. E que o futuro se desenha pelo trabalho diário e que algum concorrente, vindo de um lugar desconhecido e com alguma nova idéia, está pronto para sobrepujá-lo. Mas isto não o assusta, pois, para chegar onde chegou, ele passou por muitos altos e baixos. Cair e subir, vencer e perder, conquistar e ser conquistado são apenas estágios que tornam sua vida interessante.

 

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Temas: Empreendedorismo   
 

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