Historicamente, as grandes descobertas científicas nos séculos 18, 19 e 20 foram motivadas pelos processos de sistematização e generalização do conhecimento, tanto nas ciências humanas quanto nas exatas. O conhecimento e a técnica elevaram a sociedade a um novo nível e a evolução dos transportes e o surgimento da imprensa fazem parte dessas transformações.
As formas de comunicar se transformam nesse contexto. De massiva (de um para todos), a comunicação passa a acontecer em diferentes direções, de todos para todos. As redes sociais hoje são tomadas como um paradigma no contexto da fluidez e do excesso de informações no mundo contemporâneo. O modelo de navegação proposto pelo Facebook - baseado em atualizações feitas pelos próprios usuários e visualizadas por contatos - passa de simples entretenimento para fazer parte da agenda das grandes corporações, como um modelo a ser seguido.
Mas as redes sociais, como nós e laços entre os seres humanos, já eram um modelo de relacionamento ainda antes do surgimento da Internet. O estudo das redes complexas começou nas ciências exatas, mas foi incorporado pela sociologia até que transformou-se na perspectiva da análise estrutural das redes sociais: a grande febre no campo da Comunicação e da Cibercultura, destinando-se a estudar os laços e relações entre pessoas, grupos ou instituições.
Pensando a sociedade como uma estrutura, um sistema, uma rede, estudar as redes sociais na internet é pensar em um ator social, que se apresenta na Internet de diversas maneiras – o autor de um blog, por exemplo -, e pensar nas suas conexões, dinâmicas e que se transformam a cada clique do mouse.
Ciência e Tecnologia: concreto e abstrato
A ciência e a tecnologia ainda fundamentam e sustentam o modelo dominante. A primeira, como um conjunto de hipóteses e conceitos, baseada em teorias e orientada a estudar a natureza de acordo com o método científico, prospectando e buscando a explicação de fenômenos. A tecnologia, de natureza concreta, busca a aplicação de um conhecimento científico para conseguir um resultado prático, o resultado do fenômeno.
A divisão teoria/prática é uma noção herdada principalmente do modo moderno de concepção do mundo: a aprendizagem seria estritamente um processo experencial, ou seja, proveniente do contato e das percepções entre o indivíduo e o mundo que o cerca. De uma experimentação ativa e uma experiência concreta, o indivíduo retira insumos para uma observação reflexiva, que pode dar origem a um pensamento, uma conceituação abstrata, conforme figura abaixo:

Figura 1. Modelo de aprendizagem experencial (David Kolb. Experiential Learning: Experience as the Source of Learning and Development, 1984)
A tensão entre esses dois polos é perniciosa porque nos faz escolher entre fazer ou dizer, comunicar ou participar, pensar ou agir, quando, na verdade, ambos ocorrem simultaneamente, apesar de serem atividades humanas distintas. Essa dicotomia, resquício da modernidade, aparece também na cisão universidade/empresa, como se a academia fosse o lócus do conhecimento puro, abstrato, teórico e as corporações o local onde “as coisas realmente acontecem”, onde se aprende na prática.