INTRODUÇÃO
A Gestão do Conhecimento (GC) no contexto organizacional ainda é um termo bastante novo - e muito controverso. Até mesmo o termo “gestão do conhecimento”, ou Knowledge Management, gera discussões. Para muitos, não se trata de administrar o conhecimento, e sim gerenciar os processos de conhecimento. Por isso, antes de falar em sua relação com a Educação Corporativa, é importante entender de fato do que trata o tema.
Na literatura mundial a gestão do conhecimento começou a ser discutida há cerca de dez anos. Alguns autores clássicos deram o “pontapé inicial” na discussão, mas pouquíssimas empresas deram a devida atenção ao tema. O Brasil só começou a tratar do tema há, no máximo, cinco anos (apesar dele ser discutido na literatura mundial há cerca de dez). A história da GC está intrinsecamente ligada à globalização e ao surgimento da Internet, uma vez que estes dois conceitos mudaram radicalmente a maneira das organizações trabalharem. Os vários tipos de ferramentas da Internet, dos portais aos sistemas de gestão de conteúdo e colaborativos, mudaram a forma como as organizações funcionam. Elas se tornaram muito mais horizontais.
APRENDIZADO E COLABORAÇÃO EM UM MUNDO INTERCONECTADO
Querendo ou não, a informação e o conhecimento se democratizam não apenas na sociedade, como também no interior das organizações. A velocidade do dia-a-dia talvez não nos permita perceber isto, mas o fato é que as organizações estão mudando com a possibilidade de disponibilizar a informação e o conhecimento de maneira nunca antes imaginada. E quem está mudando mais rapidamente? Mais rapidamente mudam tipicamente as organizações mais modernas, líderes e que estão com os dois pés no Séc. XXI.
Para contextualizar o fenômeno da aceleração, da democratização e da globalização é preciso voltar alguns poucos anos atrás. Quando, por exemplo, a globalização passou a fazer parte do mundo dos negócios? Várias datas e eventos podem ser lembrados. Vamos nos ater, no entanto, ao lançamento do Windows 95. Não pelo produto em si, mas pela maneira como este foi lançado no mercado. Em um mesmo dia, o programa foi colocado à disposição de compradores em cerca de oitenta países diferentes. Sem a Internet, isto seria absolutamente impossível. Ou seja, a rede mudou a noção de tempo, espaço e velocidade nas organizações de maneira tão significativa que hoje usá-la na prática de lançamento mundial de um produto já se tornou comum. Graças à Internet, as pessoas passaram a trocar informação e colaborar de uma forma nova.
Algumas empresas entenderam o papel destas novas tecnologias muito antes do que outras e estão colhendo os frutos de seu arrojo. É o caso, por exemplo da Alcoa. Alan Belda, presidente mundial da mineradora, imaginou e viabilizou o mais avançado portal de colaboração e informação de uma empresa atuando no Brasil. Mas por que uma empresa mineradora investiria tanto nesse tipo de tecnologia? Sua lógica foi exemplar: Belda sabia que, como presidente da empresa, não precisaria de um sistema deste tipo para seu próprio uso, pois todas as informações que ele pudesse necessitar estavam ao seu alcance em poucos minutos. Porém, ele pensou na geração futura, que provavelmente trabalharia de um jeito diferente, muito mais integrado à tecnologia. Ele percebeu que, no contexto organizacional, a visão que a organização e seus líderes têm do papel do conhecimento e dos ativos intangíveis para o desempenho da organização é mais importante que os métodos e práticas em si.
Hoje em dia, fica difícil compreender o valor dessa decisão, pois a tecnologia já está tão arraigada à rotina dos escritórios que pouca gente se lembra de como era a vida antes dela. Mas já existiu um tempo em que era preciso fazer análises financeiras para provar que o funcionário precisava de um ramal telefônico ou de uma conta de e-mail, por exemplo. O simples fato que a troca de e-mails, consultas à Internet e Intranet e transações online fazem parte da rotina de trabalho comprova que a tecnologia permeia os nossos dias e a nossa maneira de trabalhar e socializar. O mundo está mudando todos os dias, todas as horas em função da tecnologia sem nos darmos conta. A mudança é o que há de constante. A frase “não há mais o que inventar” já deixou de fazer sentido. Somos surpreendidos regularmente. Um antigo professor de faculdade de economia da USP me ensinou muito sobre o valor da tecnologia. Henrique Rattner, um especialista na área tecnológica, já discutia o papel da microeletrônica para o desenvolvimento das nações no início da década de 80 e o significado da tecnologia para os países. Ele e alguns outros eram vozes dissonantes. O Brasil não o ouviu. A Coréia, por outro lado, apostou nas tecnologias emergentes da década de 80, como a microeletrônica. O resultado é que sua economia tem uma renda per capita várias vezes maior do que a brasileira. Embora no início da década de 80, os dois países tivessem rendas per capita semelhantes.
Uma de suas lições mais valiosas, que dá margem a reflexões até hoje é: “o papel da tecnologia para a evolução do mundo é superestimado no curto prazo e subestimado a longo prazo”. Portais, blogs, ambientes colaborativos e e-learning não vão mudar o mundo em dois ou três anos. Mas e daqui a vinte ou trinta anos?