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Publicado em: Inteligência Empresarial   
Inteligência Competitiva: roteiro de filme ou trabalho de formiguinha?  Autor: Caspar van Rijnbach; David Kato; José Cláudio Terra 
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Todas as empresas podem se beneficiar da mentalidade, métodos e tecnologias disponíveis para a Inteligência Competitiva
 

Vamos lá! Espiões trabalhando com escuta telefônica, funcionários sem ética copiando arquivos restritos, vendedores fuçando a lata de lixo da concorrência. É este um típico cenário associado à Inteligência ou Espionagem Industrial? Que tal ainda uma série de robôs e agentes de software que vasculham diariamente a web em busca de informações sobre a concorrência ou novos produtos? Mais excitante ainda, visitar o stand da concorrência e mentir a própria identidade em busca de informações valiosíssimas que podem estragar toda uma campanha de marketing planejada em estrito segredo. Finalmente, nada como ficar sabendo de movimentos estratégicos da concorrência em uma mesa de bar através do amigo do amigo...


Sim, Inteligência Competitiva (IC) suscita, com freqüência, além de questões éticas, certa estupefação com uma atividade que parece saída das telas de cinema ou da página policial de uma revista de negócio. Imagine um amigo que diz trabalhar com Inteligência Competitiva ou um consultor na área. São logicamente pessoas inteligentes, astutas e tecnologicamente sofisticadas. Além disso, têm uma profissão interessante, cheia de perigos e descobertas. Mas, afinal de contas, IC parece mesmo com um roteiro de filme?


Pelo o que podemos observar, uma outra realidade se desnuda quando se discute o que de fato empresas líderes em Inteligência Competitiva realmente fazem para obter informações estratégicas, táticas e mesmo operacionais do seu ambiente. Sim, IC envolve também suprir a organizações de inputs para decisões bem operacionais e táticas, como escolher este ou aquele fornecedor ou ainda reforçar a equipe de vendas nesta ou naquela região. Pode e deve ser utilizada principalmente por organizações que operam em ambientes ultra-competitivos, baseados em constante avanço tecnológico. Não é, no entanto, uma prerrogativa deste tipo de empresa. Empresas de qualquer setor, porte e nível de sofisticação tecnológica podem se beneficiar da mentalidade, métodos e tecnologias disponíveis para a IC.


O trabalho da IC, longe de ter todo o glamour de Hollywood, é na verdade um trabalho árduo, envolvendo uso intensivo em informação e colaboração de um grande número de pessoas da organização. Muitas empresas implementam ferramentas sofisticadas de TI achando que vão escapar do trabalho duro. Sem dúvida a IC necessita de tecnologia para lidar com a oferta crescente de informação, mas acima de tudo, depende de fatores como a estrutura de suporte, capacidade de mobilização organizacional, formação de uma cultura de IC e o desenvolvimento de competências de interpretação e ação.


A cultura de IC envolve um sentimento de “vigilância constante”, de colaboração e uma postura ética muito clara na cabeça de todos os colaboradores. A vigilância faz com que todos se sintam parte do processo, buscando e disseminando informações sobre o ambiente competitivo de forma organizada e constante. A colaboração em torno das informações trazidas para o ambiente organizacional possibilita a validação e melhoria das informações. A ética garante que a organização faça seu trabalho de inteligência sem suscitar problemas legais que podem acabar com a existência da organização.

 

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