Voltar
  • Baixar Artigo em PDF
  • Imprimir
Revolucionando a Educação Universitária através da Gestão do Conhecimento  Autor: José Cláudio Terra 
(1) Recomendação | Recomendar esse artigo
Não seria possível se pensar em mecanismos para reconhecer e recompensar os professores e pesquisadores que mais compartilham seu conhecimento?
 

Alguns setores da sociedade são particularmente avessos a rápidas e radicais mudanças. Em particular, podemos destacar a igreja católica, os militares e as universidades. Neste texto, nós vamos nos ater às universidades no contexto da revolução da gestão do conhecimento.


É nossa convicção que existe uma oportunidade de reinventar nossas universidades. Nossos métodos de ensino (e não de aprendizado) e de pesquisa pouco evoluíram nas últimas décadas e quem sabe mesmo nos últimos séculos. Em boa medida, apesar de alguns esforços para estimular o trabalho em equipe, eles ainda se centram na relação professor, detentor do conhecimento e aluno, recipiente do conhecimento. Também pouco se utilizam dos conceitos, estruturas organizacionais inovadoras e das ferramentas colaborativas e de gestão do conhecimento que já estão sendo utilizadas em grande escala por organizações líderes.


Neste texto provocativo, listo abaixo dez temas para reflexão:
1. Será possível que na Era das inovações trans-disciplinares e do trabalho baseado em rede e em projetos, nossas universidades ainda insistam na estrutura departamental levada ao extremo?
2. Como se justifica que universidades públicas não exijam que seus professores e alunos (principalmente de pós-graduação) divulguem seu trabalho de forma mais aberta para a sociedade? Será que o mecanismo de trabalhos publicados, dissertações e teses em papel nas bibliotecas leva em consideração as melhores tecnologias atualmente existentes?
3. Quem sabe o quê nas nossas universidades? É possível para um cidadão comum ou mesmo para os mais familiarizados com o meio acadêmico chegar na porta (sites) das nossas universidades e realmente descobrir quem sabe o quê? Quem tem interesse em que? Quem está fazendo o quê?
4. Na Era do “Information Overload” é possível saber quais foram os 100 trabalhos mais relevantes, mais consultados e melhor avaliados de uma grande universidade ou mesmo grande departamento?
5. Não seria possível se pensar em mecanismos para reconhecer e recompensar os professores e pesquisadores que mais compartilham seu conhecimento? Não existiriam também mecanismos para reconhecer também os alunos que mais compartilham seu conhecimento?
6. Por que apenas no primeiro dia oficial de aula os alunos têm acesso aos textos, notas de aula, dinâmicas e exercícios? Por que estas coisas não estão permanentemente disponíveis para qualquer um acessar a qualquer momento? Por que não reservar o precioso horário de aula apenas para debates e discussões?
7. Quais são os mecanismos existentes para se capturar os “insights” registrados na sala de aula (e fora dela) e torná-los disponíveis para outros alunos e novas turmas? Será que os professores são o único e melhor mecanismo de transmissão do conhecimento?
8. Seria possível se pensar em mecanismos mais efetivos de educação continuada? Ou melhor: seria possível se pensar em um mecanismo onde os alunos nunca saem da universidade? Onde eles apenas escolhem o grau e freqüência de contato?
9. Quando nossos bibliotecários vão deixar de ter um mero papel de controladores do fluxo e estoque de publicações da biblioteca para se tornarem efetivos “knowledge brokers” especializados em áreas temáticas?
10. Seria possível mudar-se totalmente o conceito de classe, turma e disciplina? Seria possível se estruturar uma universidade a partir de equipes de projeto, objetos do conhecimento, knowledge brokers, mapas de competência e expertise? Seria possível se criar um mercado aberto para os demandantes e “ofertantes” de conhecimentos?


O que se precisa para fazer várias das idéias acima se tornarem realidade? Temos uma resposta relativamente simples, mas longe de ser trivial em sua aplicação: Empreendedorismo! Talvez estejamos equivocados, mas é difícil imaginar que nossas universidades mais respeitadas e tradicionais venham a se reinventar com base nas idéias acima. Alguém vindo de algum lugar ou setor inesperado vai revolucionar nossa educação universitária. Não sabemos quem fará isto, mas temos certeza que alguém o fará. Como em outros setores da economia, normalmente não são as grandes empresas e líderes tradicionais (“incumbents”) aqueles que estão dispostos a romper com o status quo. Como diria Joseph Schumpeter: Viva a Destruição Criativa!

1 de 1
 

Sobre os Autores

Voltar
  • Baixar Artigo em PDF
  • Imprimir

Artigos no Innovation Center

Recuperando Dados

Acesse o Innovation Center

Notícias no Portal de Gestão Pública

Recuperando Dados

Acesse o Portal de Gestão Pública