Introdução
A humanidade vem contando histórias de forma ininterrupta desde que adquiriu a fala ou mesmo antes disso, desde que aprendeu a gesticular e se comunicar. De fato, muitos antropólogos dizem que é a nossa capacidade de contar histórias que nos separou de outros primatas ao longo da evolução. Mais ainda, parece haver uma correlação entre a capacidade de contar histórias e o grau de coesão que se consegue em grupos. Quanto mais evoluídas as subespécies de primatas em termos de mecanismos de comunicação, maior o tamanho médio dos grupos e maior o grau de sofisticação das interações sociais.
A semiótica, ciência que estuda as estruturas lingüísticas e as formas de comunicação, nos conta, por sua vez, que o ser humano transmite, sem se dar conta, quase 700 mil sinais físicos distintos, incluindo cerca de 1.000 posturas corporais, 5.000 tipos de gestos e 250.000 expressões faciais! Enfim, o ser humano tem uma enorme capacidade natural de transmitir sinais, informações e conhecimento. E de fato tem feito isto com maior ou menor efetividade há muito tempo na sociedade e nas organizações. Desde o advento da linguagem e depois da escrita, as histórias passaram a viajar muito mais rapidamente no espaço e no tempo. Com a explosão da Internet e outros meios de comunicação, histórias podem viajar pelo mundo quase que instantaneamente,afetando relacionamentos pessoais, cultura e sentimentos quanto ao papel da localização física e geográfica dos indivíduos.
É evidente que histórias são importantes para a humanidade. Mas uma boa questão que se apresenta é saber se também o são para as organizações. Qual o seu papel? E como isto está relacionado ao tema Gestão do Conhecimento? Estes são os temas que iremos abordar neste pequeno artigo. Aqui nos interessa, em particular, o ato de contar histórias de forma deliberada e sistemática como forma de transferir conhecimentos, cultura e valores. E também inspirar, gerar coesão social e conectividade emotiva entre indivíduos.
Histórias no contexto organizacional
Toda organização, à medida que evolui, acumula uma série de experiências, casos e aprendizados associados à experiência adquirida pelas equipes e líderes enquanto em ação nas operações e projetos. Desafios técnicos, de mercado e de gestão são superados e, muitas vezes, acabam embutidos nos processos operacionais, documentos, softwares e patentes da organização. Este tipo de conhecimento explícito, no entanto, não traz consigo os contextos, valores e as histórias pessoais que ajudaram na evolução da organização. Histórias, por sua vez, são ricas em todos estes elementos
os valores de uma organização vivem, em grande medida, nas histórias que são contadas, revividas e relembradas a cada momento e têm permeado a vida das organizações. Toda organização tem suas histórias de guerra, seus heróis e visões de mundo construídas a partir de pequenas ou grandes anedotas que se transmitem diariamente e perpetuam o ethos da organização. Enfim, os valores de uma organização vivem, em grande medida, nas histórias que são contadas, revividas e relembradas a cada momento, de forma espontânea ou deliberada para enfatizar algum tipo de comportamento ou ação que se deseja ver perpetuado.
A maioria das histórias em uma organização é baseada em casos reais, que podem ser ligeiramente modificadas para dar ênfase em um ponto específico ou para direcionar a narrativa. Alguns exemplos de tipos de histórias no contexto organizacional são: Histórias inspiradoras – usadas para estimular a imaginação e gerar energia e cooperação; Histórias de Ação Preventiva, usadas para ensinar lições sobre o perigo proveniente de certas emoções negativas ou insegurança; e Histórias que refletem um valor organizacional específico, tais como, lealdade, confiança, priorizar sempre o cliente, sustentabilidade, entre outros.