A folksonomia pode ser um grande aliado na gestão da informação, mas será que sua empresa está preparada?
Provavelmente você já deve ter passado horas procurando sem sucesso uma informação para realizar seu trabalho, seja no e-mail, na internet, na rede da empresa ou no seu HD. Este tipo de experiência frustrante está longe de ser solucionada. Tal entrave continua, ainda, sendo um dos maiores desafios enfrentados pelos profissionais na atualidade, ou seja, organizar informações de uma forma simples e intuitiva, permitindo que sejam encontradas rapidamente e independente do suporte em que estão armazenadas.
Fornecer ferramentas que possibilitem que a informação correta chegue à pessoa certa e na hora certa deve estar no topo das prioridades de qualquer empresa preocupada com a produtividade dos trabalhadores do conhecimento. Uma série de ferramentas e conceitos têm sido aplicados para tentar solucionar, ou pelo menos amenizar, o problema do excesso de informação: arquitetura de informação, ferramentas de busca, RSS, taxonomia, entre outras.
Um conceito que pode ajudar muito neste desafio é o de folksonomia. Explicando de uma forma bem simples, trata-se de uma classificação feita por usuários de forma livre. Este artigo busca explicar suas características, benefícios, riscos e como tem sido aplicada em diferentes contextos.
FOLKSONOMIA? COMO FUNCIONA? POR QUE USAR?
Apesar do nome complicado, a folksonomia, neologismo criado por Thomas Vander Wal, membro de uma lista de discussão da área de arquitetura de informação (Instituto de Arquitetura de Informação - http://iainstitute.org/), é composto pela união da palavra folk (pessoas) com taxonomy (taxonomia - sistema de classificação hierárquico). O seu funcionamento é bem simples. O usuário organiza as informações armazenadas (um texto, uma foto, um e-mail, uma página na internet, um filme, etc.) com uma série de palavras-chave (tags) que considera relevantes para descrever e recuperar o conteúdo que está sendo guardado, sem o envolvimento de um profissional especializado e de um vocabulário controlado.
Esse sistema de classificação oferece uma série de características que a tornam interessante. Destacam-se três que podem ser consideradas as mais relevantes: flexibilidade, identificação de padrões e colaboração. A seguir vamos detalhar cada uma delas.
FLEXIBILIDADE
A vantagem mais clara do uso da folksonomia é sua flexibilidade frente a outras estruturas classificatórias como taxonomias e ontologias. Nem sempre o esquema rígido de vocabulários controlados das taxonomias consegue ser abrangente e ágil o bastante para lidar com uma base de informações que cresce de forma muito rápida.
A construção de uma folksonomia é feita a partir do linguajar natural da comunidade que a utiliza. Na abordagem tradicional para o desenvolvimento de taxonomias é considerado o modelo mental do usuário, no entanto, o resultado final é uma estrutura rígida na qual uma informação assume uma única posição. Já o conceito de folksonomia permite que cada usuário classifique a informação com uma ou mais palavras-chave sem a obrigatoriedade de elencar apenas termos de um determinado vocabulário controlado.
A taxonomia, desenvolvida em um determinado momento, pode utilizar conceitos não compartilhados pelos usuários da informação. Além disso, também precisa de manutenção constante e de um fluxo de trabalho que pode tornar-se muito complexo, dependendo da rapidez com que as alterações das estruturas se façam necessárias.
IDENTIFICAÇÃO DE PADRÕES
O uso conjunto da folksonomia com tecnologias de mineração de dados e de análise de redes sociais possibilita a identificação de padrões de organização de informação, conceitos compartilhados e de colaboração entre as pessoas. Esses padrões podem ser usados para identificar o surgimento de grupos de interesse em torno de assuntos e temas de maior afinidade, assim como o mapeamento de como os usuários coletam, organizam, compartilham e reutilizam informações.
Com estes mapas, os gestores de bases de informação podem agir de forma pró-ativa, oferecendo subsídios para as comunidades emergentes, remodelando a navegação, criando novas formas de classificação, otimizando os mecanismos de busca, entre outras ações.